Blog Archives

Primeiro

abr 20

A despeito da irritação que me causam as frases feitas, vou ter que repetir aqui que essa vida é mesmo muito louca! Que ‘ninguém sabe o dia de amanhã’ e que ‘o futuro a Deus pertence’.

 

Faz três meses que estou em Natal, de volta de São Paulo.  Sou natalense sim, nascida, criada e formada em jornalismo pela UFRN, que aos 27 anos e logo depois de concluir a faculdade, partiu pro desconhecido e (até então) apavorante mundo que oferece uma metrópole como Sampa. 

 

Cheguei em São Paulo logo depois do carnaval de 2001, um tanto quanto ‘matutinha’ ainda e cheia de vontades (leia “sonhos”). Tive muita sorte e trabalhei com pessoas incríveis, nomes fortes na fotografia nacional, e fundamentais na minha construção profissional, e tive o privilégio de poder estar sempre na fotografia – quem partiu numa aventura como a minha, sabe bem que na busca pela sobrevivência nem sempre a opção que aparece é a que procuramos e, muitas vezes, temos que adaptar nosso desejo. Enfim, hoje, oito anos depois e com uma longa história que aos poucos vou soltar aqui, voltei pra minha querida Natal. Os motivos são bem pessoais e me pegaram de surpresa, por isso, confesso, sai de São Paulo com o coração chorando muito. Até hoje, na verdade, meu coração chora.

 

Mas esse texto não tem a menor  intenção de falar de choro! Quero falar, sim, de como fui surpreendentemente bem acolhida nessa volta… de como meu corpo não tem parado, não dando espaço e tempo pro meu coração chorão… de como estou feliz e empolgada com os tantos trabalhos que já pude realizar e com os que sinalizam ali na esquina. E, especialmente, de perceber que aquela menina ‘matutinha’ que chegou em Sampa há oito anos agora é uma mulher bem segura do que quer e de como quer viver.

 

Quero viver de fotografia e arte… em Natal, por que não? Quero oferecer um novo olhar… uma nova postura diante de questões aparentemente decididas… um novo fôlego… uma nova aparência, uma nova cara… um “novo” qualquer, porque sou uma nova pessoa na minha velha cidade. Trabalhei muito pra chegar em quem eu sou agora e me aceitar, e quero “impor” aquilo que acredito. “Impor” NUNCA como regra – porque eu mesma detesto elas! – mas como uma opção a ser respeitada e levada em conta.

 

- Por aqui todo mundo gosta dos cabelos na ‘chapinha’?… desculpa, mas eu curto muito o meu cabelo bem assanhado!!

- Fotógrafa de festas tem que usar terninho e, pra impor respeito, tem que fazer cara séria??? Eu adoooro usar vestidos e sempre compro um novo quando vou fotografar um casamento! Além disso, sorrio loucamente a festa inteira, como se fosse uma feliz convidada!!!

 - A fotografia precisa ser sempre um produto com etiqueta na prateleira??? Não!!! Vamos fotografar por prazer… por querer compartilhar com o mundo uma opinião que é sua e é melhor dita visualmente… por querer também denunciar… por querer ‘fazer arte’… por não querer nada com isso, apenas querer fazer por fazer e guardar na gaveta… sei lá por que razão, mas existe muito além dos 10 reais cobrados aqui em Natal por uma foto!

 

Fiquei muitíssimo feliz nessa volta, quando percebi que tem muita gente na cidade passando bem demais com seu trabalho de fotógrafo. Já é possível por aqui! Quando saí, há oito anos, o cenário era desestimulante. Mudou, melhorou bem… e dentre tantas iniciativas bacanas que poderia citar, tem o blog do ‘guerreiro’ Canindé Soares, que visito todos os dias e saio de lá sempre feliz. Deslumbramento à parte, claro que percebo o tanto de coisa a ser feita. Precisamos conseguir mais respeito pelo produto do nosso trabalho… precisamos injetar mais arte nas veias da cidade… precisamos de adrenalina, ferveção, agito cultural… precisamos ter mais orgulho e despertar mais admiração pela profissão. Voltei com a idéia fixa de contribuir com isso e estou louca pra achar pessoas que queiram entrar comigo nessa.

 

Pois é, há 4 meses eu jurava estar “casada” com Sampa e em Sampa. Há 3 meses eu tremia sem saber o que me esperava aqui, logo que cheguei. Há uns dois meses eu já sabia que queria esse blog, mas não fazia idéia do que escreveria aqui e catava nas lembranças casos que tivessem alguma ligação com Natal pra eu poder relatar e ser do interesse do leitor, sem ter que fazer ele viver somente minhas histórias de São Paulo. Hoje, nesse momento, eu nem sei por onde começar… qual trabalho mostrar primeiro, na fila das coisas tão boas que tenho feito. Tudo muito rápido! Eu corro, corro muito pra acompanhar… tenho passado noites em branco. Mas, é verdade, adoro correr assim! Tenho lá minhas energias guardadas e espero correr muito mais, por muito tempo ainda.

 

Quero agradecer a minha cidade, com suas pessoas queridas e acolhedoras (fama que ecoa por onde passei e que defendi sempre com orgulho); e agradecer muuuuito-muito-muito a minha família – Meu filhote, razão da minha volta, que é super paciente e respeita minha atual falta de tempo; A Yves, por tanta coisa que nem tenho como descrever aqui; e, especialmente, a ‘minha mainha linda’ e meu ‘mano véio’, que estão apostando alto e acreditando, assim como eu, que o recomeço é sempre possível, apesar de sofrido, em qualquer momento e em qualquer lugar!

 

Fiquem com um carinhoso beijo!

Esse beijinho que divido com vocês é de Renata, minha sobrinha mais nova, que mora em Manaus. Peguei ela nesse momento bico em dezembro, no anual encontro familiar.